Escândalo CREFISA: INSS Suspende Contrato Com a Empresa de Crédito Pessoal
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciou nesta quinta-feira (21) a suspensão preventiva dos contratos firmados com o Banco Crefisa, uma das principais operadoras responsáveis pelo pagamento de benefícios previdenciários no país.
A decisão, publicada no Diário Oficial da União, foi motivada por um conjunto de irregularidades identificadas durante fiscalizações e denúncias recebidas pelo órgão, entre elas práticas de coação contra beneficiários, venda casada de produtos financeiros e atrasos no repasse dos valores devidos aos aposentados e pensionistas.
A Crefisa se tornou uma das principais parceiras do INSS após vencer 25 dos 26 lotes ofertados no leilão para gestão da folha de pagamento de novos benefícios realizado em 2024.
Desde então, passou a atuar como intermediária no repasse de benefícios para cerca de 1,7 milhão de pessoas, o que representa aproximadamente 4% do total de 41 milhões de pagamentos mensais realizados pelo instituto.
No período de janeiro a agosto de 2025, a instituição financeira recebeu do governo federal cerca de R$ 25 bilhões para a execução dessas operações.
Apesar do papel central no sistema de pagamentos, o INSS apontou falhas graves na condução dos serviços. Relatórios internos e relatos de beneficiários indicam que a empresa teria pressionado aposentados e pensionistas a contratarem produtos bancários.
Como contas correntes, cartões de crédito e empréstimos consignados, como condição para o recebimento dos benefícios.
Essa prática, conhecida como “venda casada”, é proibida por lei e configura abuso de poder econômico, especialmente quando envolve públicos vulneráveis, como idosos e pessoas com renda fixa limitada.
Além disso, o instituto identificou casos de atrasos no crédito dos valores aos beneficiários, o que gerou prejuízos financeiros e transtornos a milhares de pessoas que dependem do recebimento pontual para cobrir despesas essenciais.
O INSS destacou que, mesmo com a existência de cláusulas contratuais que prevêem penalidades para descumprimento de prazos, a Crefisa não teria adotado medidas corretivas suficientes.
Em resposta à suspensão, a Crefisa divulgou uma nota oficial afirmando que foi pega de surpresa com a decisão, já que não teria sido formalmente notificada previamente pelo INSS.
A empresa negou veementemente qualquer prática irregular e reforçou que todos os contratos são firmados com autorização expressa dos clientes, após processo transparente de contratação.
Segundo a instituição, menos de 5% dos beneficiários sob sua gestão optaram por abrir conta corrente no banco, o que, segundo argumenta, demonstra a ausência de pressão ou coação.
“Desde 2020, o Banco Crefisa vem executando o serviço de pagamento de benefícios com regularidade, sem interrupções.
Nunca houve registro de reclamação de beneficiário que tenha deixado de receber seu direito, entre os mais de 1 milhão de atendidos em todo o território nacional”, afirmou a empresa.
A suspensão é considerada preventiva, o que significa que os contratos estão paralisados enquanto uma investigação mais aprofundada é conduzida.
O INSS informou que já acionou a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Ministério da Previdência para apurar as condutas da Crefisa e definir os próximos passos, que podem incluir rescisão contratual, aplicação de multas e até mesmo exclusão da empresa de futuras licitações.
A medida tem impacto direto sobre os beneficiários que recebem seus pagamentos por meio da Crefisa. O INSS garantiu que está tomando providências para garantir a continuidade dos repasses.
Podendo redistribuir os lotes para outras instituições já credenciadas ou acionar mecanismos emergenciais de pagamento, como o uso de contas digitais governamentais.
O caso reacende o debate sobre a necessidade de maior fiscalização sobre as operadoras que atuam na gestão dos benefícios previdenciários.
Especialistas alertam que, embora a parceria com bancos privados possa agilizar o pagamento, é essencial garantir que os direitos dos cidadãos não sejam comprometidos em nome da lucratividade.
O Congresso Nacional já sinalizou a possibilidade de criar uma comissão para acompanhar o caso e propor mudanças na regulamentação do setor.
Enquanto a investigação avança, o INSS reforça o canal de atendimento ao cidadão para que beneficiários que se sintam pressionados ou tenham problemas com o recebimento dos valores possam registrar suas queixas e obter suporte imediato.